A Importância Histórica e Cultural do Feijão no Brasil

Chamar o feijão de tradicional no Brasil é pouco para explicar a importância histórica que a leguminosa tem para o país. Desde o fim do século 19, o grão forma a dieta básica das famílias brasileiras. Junto com o arroz, ele tem o balanço nutricional perfeito e se tornou obrigatório na mesa.

Infográfico sobre os benefícios nutricionais do feijão

Mas isso está mudando. Cada vez mais o feijão vem perdendo espaço para alimentos industrializados e ultraprocessados. Embora ainda seja parte do cardápio de cerca de 60% da população, o consumo regular do feijão - cinco ou mais dias na semana - está caindo.

Origens e Primeiras Presenças no Brasil

Por muitos séculos, o grão não foi muito popular para o paladar europeu dos colonizadores. Mas, ainda assim, já era comercializado em feiras de escambo, apenas poucas décadas depois da invasão portuguesa, na recém criada cidade de Salvador, capital baiana.

De acordo com pesquisas da Embrapa, o convívio entre as culinárias dos povos que formaram o Brasil trouxe o caldo, os temperos, as pimentas e as carnes. “Você tem pratos que eram muito típicos de populações europeias, que vieram com as tradições de imigrantes, e que aqui se adaptam aos ingredientes da terra. Variações regionais a partir de uma grande ideia, feita por muitos povos, não só europeus, mas também da África, de um cozido de uma leguminosa, acrescido de várias coisas (…) No fogão a lenha, ele ficava cozinhando muitas horas.”

Mapa histórico das rotas de comércio no Brasil colonial

O Feijão na Dieta Brasileira ao Longo dos Séculos

A partir do século 19, o consumo passou a ser mais frequente no Brasil, mas a produção ainda era feita em hortas domésticas ou em sítios. A lavoura brasileira de feijão era produzida por mulheres nas pequenas produções familiares. Misturado com a farinha de mandioca, outro alimento básico da dieta brasileira, o feijão foi, gradativamente, entrando na alimentação cotidiana.

Variações Regionais e Históricas

Na região de Minas Gerais, já com atividade mineratória em curso, ele aparecia no prato com couve, toucinho e farinha de mandioca ou milho. Variações do tropeiro são vistas hoje em diversos locais do Brasil. Nas estradas percorridas por bandeirantes no estado de São Paulo, era possível observar roças de feijão nos pontos de descanso mais frequentes. O plantio na ida garantia o alimento pronto para consumo na volta. Esse caminho levou a leguminosa a se fixar como alimento essencial da dieta brasileira ao longo do século 19.

Segundo a publicação da Embrapa, há diversos relatos e crônicas dos períodos colonial e imperial que tratam o grão como básico no cotidiano. Joana Monteleone afirma que, “a partir daí, vemos o feijão em muitos lugares. É quando os restaurantes também se tornam lugares de alimentação importantes. Eles anunciam os cardápios nos jornais e vemos coisas muito interessantes. Anúncios de feijoada no Rio de Janeiro, em dias em que (até hoje) achamos que é dia de feijoada mesmo no Rio.”

Ilustração de um banquete colonial com feijoada

A Consolidação do Feijão como Identidade Nacional

A historiadora explica que essa preferência se consolidou com o tempo. Talvez o incremento mais significativo no protagonismo do feijão tenha começado há cerca de 100 anos, entre as décadas de 1920 e 1950, quando movimentos populares, políticos e artísticos abraçavam cada vez mais uma ideologia de busca de uma identidade brasileira.

“Ser brasileiro é comer feijão. Houve um momento da história do país em que se acordou que o feijão e a feijoada eram a cara desse país e que nós, brasileiros, nos víamos como comedores de arroz e feijão.” A presença no prato levou ao crescimento das lavouras. A partir do fim do século 19, o feijão era produzido em todas as regiões do Brasil. O cultivo junto com outras culturas, especialmente a abóbora e o milho, foi predominante por muito tempo e até hoje é praticado. Mas em algumas regiões, especialmente em médias e grandes propriedades, ele é plantado sozinho.

A ORIGEM HISTÓRICA DA FEIJOADA

A Dupla Imbatível: Arroz com Feijão

Junto com o arroz, a leguminosa viria a se tornar um hábito na mesa das famílias brasileiras, que permanece até hoje. A importância nutricional e cultural da dupla fez com que o poder público definisse a combinação como essencial para a segurança alimentar.

Se tem algo que faz parte do dia a dia do brasileiro é o feijão. Ele aparece nos almoços rápidos da semana, nas refeições de família e até nos momentos em que a gente busca aquele prato que abraça e conforta. Você consegue imaginar formas de explorar novas texturas e sabores com todos eles? Então que tal conhecer todos esses tipos e ver como variar na rotina da família? Se você não dispensa um bom feijãozinho, então vamos lá conhecer como criar novas memórias com esse prato tão rico e popular na nossa cultura.

Variedades Populares de Feijão no Brasil

O Brasil é o maior produtor de feijão comum (Phaseolus vulgaris) do mundo, de acordo com a Embrapa. Os estados do Paraná, Minas Gerais e Bahia são os principais produtores, o que corresponde a quase 50% da produção nacional. Ele faz parte do grupo das leguminosas, o mesmo das ervilhas, lentilhas e grão-de-bico.

Nos tempos atuais, não há como negar que o principal acompanhamento para o feijão é o arroz e a mistura é a mais popular do país.

Tipos de Feijão e Suas Características

  • Feijão Carioca: Também chamado de “carioquinha”, ele combina muito bem com o arroz, claro, mas também funciona bem em caldos, purês e até saladas mornas. Representa cerca de 85% das vendas no País. Apesar do nome, o carioca, tipo mais popular do país, nasceu em São Paulo no início da década de 1960. O nome não tem relação com o estado ou a cidade do Rio de Janeiro, mas surgiu após um trabalhador da fazenda de Antunes comparar o padrão rajado dos grãos à pelagem de porcos crioulos conhecidos como “cariocas”, termo usado à época para animais manchados.
  • Feijão Preto: O feijão preto é o campeão nos pratos de todo carioca e é ingrediente da típica feijoada!
  • Feijão Branco: O feijão-branco tem uma vantagem irresistível: absorve temperos com facilidade. Isso significa que ele fica ótimo em cozidos, cassoulets, ensopados de legumes e até saladas. Os grãos do feijão branco são maiores que os demais e é ingrediente indispensável na dobradinha, prato de origem portuguesa, feito com o “bucho” bovino e linguiças.
  • Feijão Fradinho: Muito usado em pratos típicos, como acarajé e saladas frescas, o feijão-fradinho tem grãos pequenos e sabor delicado. É um feijão que traz aquela sensação boa de tradição e, ao mesmo tempo, funciona bem em receitas práticas do dia a dia. O feijão fradinho também é conhecido como feijão-de-corda em outras regiões do Brasil.
  • Feijão Jalo: O feijão-jalo chama atenção pela cor amarelada e pelo sabor mais amanteigado.
  • Feijão Rosinha: Mais suave e adocicado, o feijão-rosinha combina com preparos leves e caldos mais claros.
  • Feijão Rajado: Cheio de charme e com sabor equilibrado, o feijão-rajado é uma boa escolha para quem quer sair do básico.
  • Feijão Roxinho: O feijão-roxinho tem um sabor que lembra o feijão-preto, mas com um toque mais suave.
  • Feijão Azuki: O feijão-azuki é muito usado na culinária oriental e tem sabor suave, adocicado e cheio de possibilidades. É rico em fibras, proteínas e antioxidantes, sendo considerado um grão funcional em algumas culturas.
  • Feijão Vermelho: O feijão-vermelho apresenta um tamanho menor, além de casca fina e de fácil consumo.
  • Feijão de Corda: O feijão-de-corda é menor, com uma cor bege e hilo preto.
  • Feijão Jalo: O jalo possui um formato maior do que os demais e é pouco conhecido no Brasil.
  • Feijão Verde: Popular na região Nordeste, o feijão-verde possui mais proteínas do que a ervilha e a vagem.
  • Feijão Cavalo: O feijão-cavalo se assemelha ao feijão-vermelho por conta da sua coloração.
Tabela comparativa dos diferentes tipos de feijão, com suas características e usos culinários

Benefícios Nutricionais e para a Saúde

Levanta a mão quem nunca ouviu falar que comer feijão deixa forte! A dica é verdadeira e os diversos tipos de feijão são ricos em cálcio, zinco e ferro, e podem combater doenças cardíacas. Não dispense a laranja da feijoada!

Rico em fibras, o feijão ajuda na sensação de saciedade, ajuda a regular o intestino e evita o diabetes, devido ao seu baixo índice glicêmico. Ademais, o feijão é uma ótima fonte de proteína, assim como as leguminosas como a ervilha e o grão-de-bico, que são ingredientes essenciais principalmente para os adeptos da filosofia vegetariana e vegana.

O feijão tem pouquíssima gordura e ajuda na sensação de saciedade. É um ingrediente saudável que ajuda na manutenção do peso. O consumo em quantidades de média a alta de feijão está sendo associado à diminuição no desenvolvimento de doenças como o diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares e até mesmo neoplasias.

Com um alto teor de ferro, o feijão é um poderoso aliado na prevenção de deficiência de ferro e da anemia. Em média, o feijão possui 5g de ferro em uma porção. Por conter muitas fibras, é um alimento que ajuda a melhorar o funcionamento do intestino. Incluir o feijão na alimentação pode ajudar a reduzir o seu colesterol ruim, especialmente se consumido diariamente com moderação. Para regular os níveis de açúcar no sangue, o feijão possui um baixo índice glicêmico.

Preparo e Conservação

Para consumir o feijão, é necessário que os grãos sejam cozidos, pois quando cru possui toxinas prejudiciais ao organismo. O ideal é deixá-los de molho de 7 a 12 horas antes do preparo, trocando a água algumas vezes. Antes de cozinhá-lo, lave os grãos em água corrente e escorra bem.

Apesar do cozimento na panela comum permitir o acompanhamento do processo de cozimento como um todo, é mais prático utilizar a panela de pressão pois, assim como a maioria das leguminosas, o grão demora a amolecer. Após cozido, é possível conservá-lo na geladeira por até 3 dias ou no freezer por até 90 dias.

Desafios e o Futuro do Consumo de Feijão

Segundo a Embrapa, o consumo per capita de feijão no Brasil atingiu seu pico entre 1961 e 1970, com média de quase 23 kg por pessoa ao ano, e caiu continuamente até atingir em 2024 o menor índice da série histórica. A queda está associada principalmente às mudanças nos hábitos alimentares e no estilo de vida da população, com famílias menores, rotina urbana mais acelerada e redução do hábito de cozinhar em casa.

Para o pesquisador Alisson Fernando Chiorato, do IAC, esse cenário representa hoje um dos principais desafios do programa de melhoramento do grão. “A redução no consumo do feijão carioca é preocupante porque toda a produção precisa ser absorvida internamente. Com mais tecnologia e área irrigada, a oferta cresce, e isso pode pressionar os preços pagos ao agricultor”, afirma.

Diante desse contexto, o programa passou a atuar também na diversificação de tipos de feijão. Os pesquisadores investem em características que dialogam com o consumidor moderno. “Os feijões atuais cozinham em menos tempo, consomem menos água no campo, têm ciclos mais curtos e exigem menos insumos, resultando em um alimento mais saudável e sustentável”, destaca o pesquisador Sérgio Augusto Morais Carbonell, do IAC.

Gráfico mostrando a queda no consumo per capita de feijão no Brasil ao longo dos anos

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